Um bebê que vai ao posto aos 6 meses para a terceira dose da pentavalente pode receber, na mesma visita, a primeira dose da vacina contra covid. Poucas famílias completam esse caminho: em 23 de outubro de 2026, o Programa Nacional de Imunizações (PNI), do Ministério da Saúde, informou que só 5% das crianças pequenas do país têm as três doses, segundo entrevista do diretor do PNI à Agência Brasil.
O dado aparece num ano em que a covid-19 levou mais de 1,1 mil crianças menores de 14 anos ao hospital com quadros respiratórios graves. Foram 25 mortes de crianças e adolescentes em 2026, e 15 delas eram de bebês com menos de 2 anos. O diretor do PNI, Eder Gatti, afirma que há estoque e contratos para manter o abastecimento, e atribui a baixa adesão à desinformação espalhada contra a vacina.
Três doses entre os 6 e os 9 meses de vida
Para quem tem pressa:
As doses são aplicadas aos 6, 7 e 9 meses, pelo SUS, sem custo e sem campanha: a vacina faz parte do calendário de rotina desde 2024.
Quem perdeu as datas ainda pode vacinar até os 4 anos, 11 meses e 29 dias.
O Calendário Nacional de Vacinação da criança prevê o esquema com a vacina Comirnaty, da Pfizer, em versão pediátrica. As datas coincidem com outras vacinas do primeiro ano, o que permite resolver mais de uma pendência por visita.
| Idade | Dose contra covid | Outras vacinas da mesma idade | Intervalo mínimo |
|---|---|---|---|
| 6 meses | 1ª dose | Penta (3ª), VIP (3ª) e gripe (1ª) | Não se aplica |
| 7 meses | 2ª dose | Gripe (2ª, para quem tomou a primeira aos 6 meses) | 4 semanas após a 1ª |
| 9 meses | 3ª dose | Febre amarela (1ª) | 8 semanas após a 2ª |
Aos 6 meses: a primeira dose cai na visita da penta
É a consulta mais carregada do semestre. Além da covid, o bebê recebe a terceira dose da pentavalente e da poliomielite inativada (VIP) e a primeira dose contra a gripe, que deve ser repetida todo ano até os 6 anos incompletos. Para a visita render, leve:
- a caderneta de vacinação do bebê, mesmo que a unidade use registro eletrônico;
- um documento da criança com CPF ou o cartão do SUS;
- a lista de doses atrasadas, se houver, para a equipe avaliar o que pode ser aplicado no mesmo dia.
Antes de sair, verifique se as quatro aplicações foram anotadas com data e lote.
Aos 7 meses: a segunda dose, quatro semanas depois
O intervalo mínimo entre a primeira e a segunda dose é de 4 semanas, segundo o calendário técnico do Ministério da Saúde. Na mesma ida ao posto, a criança que tomou a vacina da gripe pela primeira vez aos 6 meses recebe a segunda dose, já que o esquema inicial contra influenza pede duas aplicações com 30 dias de distância.
Por que às vezes o posto pede para voltar outro dia?
Gatti explicou à Agência Brasil que a vacina pediátrica contra covid fica armazenada congelada. Depois de descongelada, vale por dez semanas e precisa ser descartada se não for usada nesse prazo. Por isso, a disponibilidade pode variar de uma unidade para outra e de um dia para o outro. Ligar antes evita a viagem perdida.

Aos 9 meses: a terceira dose fecha o esquema básico
A última dose vem 8 semanas depois da segunda e coincide com a primeira dose da vacina contra febre amarela, indicada para todo o país. Com as três aplicações registradas, o esquema básico está completo.
Crianças imunocomprometidas ou com comorbidades seguem um caminho diferente: o Ministério da Saúde prevê doses de reforço para esse grupo, e a frequência é definida pela equipe de saúde conforme o caso. Converse com o pediatra ou procure o Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais (Crie) da sua região.
Depois dos 9 meses e até os 4 anos: como recuperar o atraso
A faixa etária indicada para a vacina vai dos 6 meses aos 4 anos, 11 meses e 29 dias, de acordo com o calendário técnico de vacinação da criança. Uma criança de 2 anos que nunca tomou nenhuma dose começa o esquema do zero e segue os mesmos intervalos mínimos: quatro semanas até a segunda dose e oito até a terceira.
Se a Pfizer pediátrica estiver em falta, o calendário técnico admite a vacina da Moderna (Spikevax), em esquema de duas doses com quatro semanas de intervalo. A escolha do produto cabe à sala de vacina, conforme o estoque.
Seis milhões de doses em crianças: o que os registros mostram
Entre as mais de 6 milhões de doses aplicadas em crianças durante a pandemia, não houve registro de morte, e 92% das reações notificadas foram leves e esperadas, como febre e dor no local, segundo o Ministério da Saúde. Um estudo da Universidade de São Paulo com dados de 24 cidades apontou queda de 97% nos casos graves entre crianças vacinadas. Febre que não cede ou qualquer reação que preocupe a família deve ser avaliada num serviço de saúde.
Esperar uma campanha é o engano que deixa o bebê sem proteção
Quem associa a vacina contra covid às campanhas da pandemia pode ficar esperando um chamado que não vem. Desde 2024 ela está no calendário básico, disponível em qualquer dia de funcionamento da sala de vacina. O outro engano comum é achar que, passados os 9 meses, a oportunidade acabou: o prazo vai até antes dos 5 anos. A lógica de não deixar a dose para depois é a mesma que vale para a vacina de hepatite B ao nascer, outra proteção que depende do momento certo.











