Mais de 3 milhões de adolescentes tomaram a primeira dose da vacina contra a dengue e ainda não voltaram ao posto para a segunda. O dado foi apresentado por Eder Gatti, que dirige o PNI, o programa de vacinação do Ministério da Saúde, em 26 de outubro de 2026, durante a Jornada Nacional da Sociedade Brasileira de Imunizações, segundo a Agência Brasil.
Sem a segunda dose, a proteção fica incompleta justamente quando o calor e as chuvas aumentam a circulação do mosquito. Os números abaixo mostram o tamanho do atraso e o que pais e responsáveis podem fazer. A boa notícia é que não falta vacina para quem precisa terminar o esquema.
3 milhões de jovens com o esquema pela metade
Usada no SUS, a Qdenga, da farmacêutica Takeda, é aplicada em duas doses com três meses de intervalo. A proteção completa só vem depois da segunda. Atualmente, o público de quem começa o esquema é de 10 a 14 anos.
Crianças de 6 a 9 anos que tomaram a primeira dose quando a faixa era mais ampla também podem completar o esquema, segundo a Prefeitura de Belo Horizonte.
11,8 milhões de doses aplicadas até outubro
| Indicador | Número |
|---|---|
| Doses aplicadas no total | Mais de 11,8 milhões |
| Primeiras doses | 7,6 milhões |
| Segundas doses | 4,2 milhões |
| Adolescentes com esquema incompleto | Mais de 3 milhões |
| Doses distribuídas e ainda não aplicadas | Quase 4 milhões |
A diferença entre primeiras e segundas doses resume o problema: para cada duas crianças que começaram, pouco mais de uma terminou. Parte desse atraso se explica pelo intervalo longo, já que três meses depois muitas famílias simplesmente esquecem do retorno.
Para a família: a segunda dose está disponível nos postos de saúde, com estoque garantido para a faixa de 10 a 14 anos; basta levar a caderneta e um documento.
Quase 4 milhões de doses paradas nos municípios
O estoque não é o gargalo. As doses já foram entregues às cidades e esperam nas salas de vacinação. Segundo Gatti, a Takeda não tem capacidade para vacinar toda a população, mas o fornecimento para a faixa de 10 a 14 anos está garantido: o país tem contrato para 9 milhões de doses em 2026 e outras 9 milhões em 2027.
A ampliação para outras idades é possível, afirmou o diretor, mas depende de questões operacionais, de orçamento e de segurança.
Três documentos e um intervalo para levar ao posto

Para a segunda dose, leve o adolescente acompanhado de um responsável, com documento com foto ou certidão de nascimento, CPF e a caderneta de vacinação, conforme a orientação da Prefeitura de Belo Horizonte. A caderneta mostra a data da primeira aplicação e evita confusão no registro.
Regras de intervalo que valem no posto
- a segunda dose não deve ser aplicada antes de três meses da primeira;
- quem teve dengue precisa esperar pelo menos 30 dias depois do início dos sintomas para tomar a segunda dose;
- vacinas inativadas podem ser aplicadas sem intervalo; com vacinas de vírus vivo, a orientação é respeitar 30 dias entre uma e outra.
Se passou muito tempo desde a primeira dose, a recomendação é procurar a unidade de saúde, que avalia a situação no registro. Para encontrar a caderneta digital, veja como consultar a caderneta de vacinação.
Zero aplicações da vacina do Butantan desde junho
Desenvolvida pelo Instituto Butantan, a outra vacina nacional está suspensa desde junho. O Ministério da Saúde registrou três casos de dengue grave depois da vacinação, com duas mortes, entre mais de 500 mil vacinados. Não há confirmação de que a vacina tenha causado a doença, mas a coincidência de tempo foi tratada como sinal de segurança que exige estudos complementares.
Gatti afirmou que a suspensão não cancela a vacina. Enquanto isso, a Qdenga segue como a única opção no SUS para a faixa de 10 a 14 anos.
Nenhuma vacina substitui o combate ao mosquito em casa, tema de como se proteger da dengue no calor. Febre alta, dor atrás dos olhos e manchas no corpo pedem avaliação médica, e dor abdominal intensa ou sangramento exigem atendimento de urgência.











