Os temporais da noite de 24 e da madrugada de 25 de outubro de 2026 provocaram alagamentos, quedas de árvores e deslizamentos em várias regiões de São Paulo, e a Defesa Civil do estado alertou em 26 de outubro para o risco de leptospirose depois das enchentes, segundo o Diário de Suzano. Minas Gerais enfrentou o mesmo tipo de tempestade no fim de semana.
A doença é causada por uma bactéria eliminada na urina de ratos, que se espalha pela água e pela lama das enchentes. O ponto que mais engana é o tempo: os sintomas podem aparecer de 1 a 30 dias depois do contato, e costumam surgir entre 7 e 14 dias, segundo o alerta epidemiológico do Ministério da Saúde. Quem pisou na água em 25 de outubro deve ficar atento até o fim de novembro.
Quem atravessou rua alagada ou enxurrada
É a exposição mais comum. A bactéria entra pela pele, principalmente se houver cortes ou arranhões, e pelas mucosas dos olhos e da boca. Ter andado na água não significa que você vai adoecer, mas exige atenção a estes sintomas nas semanas seguintes:
- febre de início súbito;
- dor de cabeça e dores musculares, muitas vezes fortes;
- olhos avermelhados;
- vômito, diarreia ou dor abdominal.
Se algum deles aparecer, procure uma unidade de saúde e conte que teve contato com água de enchente ou lama, com a data. Essa informação muda a investigação, porque os primeiros sintomas se confundem com gripe e dengue.
O exame veio negativo logo no começo. Posso ficar tranquilo?
Não necessariamente. Os exames de sangue que procuram anticorpos podem não detectar a infecção nos primeiros dias de sintomas. Se a febre e as dores continuarem, volte ao serviço de saúde: o médico pode pedir nova coleta ou iniciar o tratamento pela suspeita clínica, já que a demora piora a evolução.
Quem vai limpar casa, quintal ou comércio depois da água baixar

A limpeza é o momento de maior contato prolongado com lama contaminada. As orientações do Ministério da Saúde para reduzir o risco incluem:
- usar botas e luvas de borracha durante todo o trabalho, ou sacos plásticos duplos amarrados nas mãos e nos pés quando não houver equipamento;
- cobrir cortes e ferimentos com curativo impermeável;
- lavar pisos, paredes e objetos com água sanitária diluída conforme o rótulo do produto;
- descartar alimentos que tiveram contato com a água da enchente;
- ferver ou tratar com hipoclorito a água de beber se houver dúvida sobre a qualidade;
- recolher e acondicionar o lixo, que atrai roedores.
Quem trabalha em resgate, limpeza urbana ou obras
Bombeiros, agentes da Defesa Civil, garis e profissionais de saúde ficam expostos por mais tempo. Para esse grupo, o Ministério recomenda equipamento de proteção individual e atenção redobrada aos sintomas, para diagnóstico precoce.
Existe remédio preventivo?
O Ministério da Saúde não recomenda antibiótico preventivo em massa para a população exposta a enchentes. A decisão sobre qualquer medicação é do médico, caso a caso. Tomar antibiótico por conta própria pode mascarar sintomas e atrasar o diagnóstico.
Crianças que brincaram na água
Crianças costumam entrar em poças e alagamentos sem perceber o risco e levar as mãos à boca. Se isso aconteceu, dê banho com água limpa e sabão assim que possível e observe febre e dor nas pernas nas semanas seguintes. Ao levar ao pediatra, mencione o contato com a água.
Cães que passearam em ruas alagadas também podem pegar leptospirose e eliminar a bactéria pela urina dentro de casa. Se o animal ficar apático, sem comer ou com vômito, procure o veterinário e pergunte sobre a vacinação, que costuma fazer parte do protocolo anual.
Sinais que exigem atendimento imediato
A maioria dos casos é leve, mas uma parte evolui para quadros graves, que exigem internação. Procure pronto-socorro sem esperar se houver pele ou olhos amarelados, sangramentos, falta de ar, urina muito escassa ou escura e prostração intensa.
A relação entre clima extremo e doenças infecciosas foi tema de reportagem da Agência Brasil em 25 de outubro. Água parada após as chuvas também favorece o mosquito da dengue, e os cuidados para esse outro risco estão em Dengue já é epidêmica em metade do país: como se proteger no calor.











