Anvisa proíbe picolé com melatonina e suplemento de proteína: o que fazer

Por Portal Saúde Confiável

27 de outubro de 2026

Um picolé vendido como “relaxante” e um suplemento de proteína anunciado para quem usa canetas emagrecedoras estão proibidos no país desde 26 de outubro de 2026. Nessa data, a Anvisa determinou o recolhimento do Picolé Bentô Gelatos Magnésio + Inositol Relief 3.0 e do Body Strong Proetein, sabor cacau, da marca Equaliv.

Os dois produtos usavam ingredientes que não podem estar naquele tipo de alimento. Quem comprou deve parar o consumo, e quem vende precisa retirar das prateleiras e da internet.

 

Por que cada produto foi barrado

As razões são diferentes para cada item, segundo a decisão da agência divulgada pela Agência Brasil e reproduzida pelo Acorda Cidade.

ProdutoFabricanteProblema apontado
Picolé Bentô Gelatos Magnésio + Inositol Relief 3.0ABB Gelateria Ltda.Contém melatonina e inositol, liberados só para suplementos alimentares (o inositol, também em composto líquido pronto para beber)
Body Strong Proetein, cacau (Equaliv)Althaia S.A. Indústria FarmacêuticaUsa peptistrong, proteína de fava hidrolisada sem avaliação de segurança, e fazia propaganda com alegações terapêuticas

No caso do suplemento, a Anvisa citou anúncios que prometiam “prevenção de sarcopenia” (perda de massa muscular) e suporte nutricional para usuários de canetas do tipo GLP-1. Suplemento alimentar não pode prometer tratar ou prevenir doença. Por isso, a agência suspendeu também a propaganda, a distribuição e o uso do produto, como registrou o ac24horas.

O alvo do anúncio ajuda a entender a preocupação. Quem usa canetas para emagrecer costuma comer menos e pode perder músculo junto com a gordura, por isso a ingestão de proteína ganha importância nesse tratamento. É justamente um público disposto a comprar qualquer produto que prometa resolver o problema, e a escolha da proteína certa deveria passar pelo médico ou nutricionista que acompanha o uso da caneta, e não pela propaganda.

Proteína em pó vista de perto
Proteína em pó. Imagem ilustrativa, não mostra o produto proibido. Foto: Tony Webster / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

 

Melatonina em sorvete: onde está o risco

A melatonina é um hormônio ligado ao sono. A Anvisa permite seu uso em suplementos alimentares desde 2021, só para adultos a partir de 19 anos e com dose diária limitada, informada no rótulo. Num picolé, esse controle se perde: a pessoa pode tomar mais de um, uma criança pode consumir o produto achando que é um doce comum, e não há como saber a dose real ingerida.

Melatonina pode causar sonolência, dor de cabeça e tontura, e interage com remédios como anticoagulantes, anticonvulsivantes e sedativos. Gestantes, lactantes e pessoas em tratamento contínuo devem conversar com o médico antes de usar qualquer produto com a substância.

O mesmo raciocínio vale para os produtos vendidos com promessa de “acalmar” ou “dormir melhor” em formatos de bala, chocolate ou bebida. Formato de guloseima não é suplemento registrado. O portal tratou de outro alerta recente da agência em Ashwagandha é proibida no Brasil: Anvisa alerta para riscos.

 

Comprou um dos dois? Veja como agir

  1. Pare de consumir e guarde a embalagem, a nota ou o print do pedido.
  2. Peça o reembolso à loja ou ao vendedor. Produto com venda proibida e recolhimento determinado é impróprio para consumo, e o Código de Defesa do Consumidor garante a devolução do valor.
  3. Se a loja se recusar, registre reclamação no Procon ou na plataforma consumidor.gov.br.
  4. Se alguém da casa teve sintomas depois de consumir, procure atendimento e leve a embalagem ou a foto do rótulo. O próprio consumidor também pode relatar a reação diretamente à Anvisa, pelo canal on-line de queixas técnicas e eventos adversos.
  5. Encontrou o produto à venda depois da proibição? A denúncia pode ser feita à vigilância sanitária do município ou pela Ouvidoria da Anvisa.

 

Como desconfiar de um produto antes de comprar

Alguns sinais aparecem com frequência nos itens que a Anvisa acaba retirando do mercado:

  • promessa de tratar, curar ou prevenir doença, algo que alimento e suplemento não podem anunciar;
  • substância de suplemento, como melatonina, em formato de doce, sorvete ou bebida comum;
  • frase “aprovado pela Anvisa” sem número de registro ou de notificação que possa ser conferido;
  • venda concentrada em redes sociais, com depoimentos no lugar de informação técnica no rótulo.

Na dúvida, a situação de um produto pode ser pesquisada na área de consultas do site da Anvisa, pelo nome comercial ou pela empresa fabricante.

As reportagens sobre a decisão não citam números de lote. Na dúvida, trate qualquer unidade dos dois produtos como incluída na proibição até a Anvisa detalhar o contrário.

Leia também: