Uma mulher de 48 anos vê no TikTok uma indicação de ashwagandha para dormir melhor e aliviar as ondas de calor da perimenopausa e decide comprar cápsulas pela internet. Em 22 de outubro de 2026, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu um alerta justamente para esse público: a erva não tem registro no Brasil e seu uso como suplemento é proibido.
Em três linhas: a ashwagandha não pode ser vendida como suplemento no país. A Anvisa citou o caso de uma britânica com falência do fígado após o uso. Quem já toma deve conversar com um médico antes de parar ou continuar.
Ashwagandha é proibida no Brasil?
Sim. Segundo a nota da Anvisa divulgada pela Agência Brasil, o produto não tem registro e a agência reforçou a proibição do seu uso como suplemento alimentar. A regra geral está na Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) nº 243/2018, que só permite em suplementos substâncias previamente autorizadas, além de aditivos e ingredientes tradicionais usados para dar sabor, cor ou aroma.
Isso significa que cápsulas, pós ou gomas com ashwagandha vendidos em marketplaces, perfis de redes sociais ou lojas virtuais estão em situação irregular, mesmo quando o anúncio diz que o produto é natural ou importado.
Por que a erva virou moda entre mulheres na perimenopausa?

A ashwagandha, nome popular da planta Withania somnifera, é usada há séculos na medicina tradicional indiana. Nas redes sociais, passou a ser apresentada como solução para estresse, insônia e sintomas da transição para a menopausa, fase que costuma trazer irritabilidade, sono ruim e calorões.
A Anvisa lembra que é proibido associar suplementos a promessas de cura, tratamento ou prevenção de doenças. Vídeos que apresentam a erva como substituta de tratamento médico, portanto, já fazem uma alegação que a legislação brasileira não aceita para esse tipo de produto.
Que riscos a Anvisa apontou?
No alerta, a agência citou o caso de uma mulher britânica que teve falência do fígado, paradas cardíacas e danos cerebrais graves após usar o produto. A Anvisa também afirmou que a maior parte dos perigos ligados a suplementos vem de itens irregulares, seja por conterem substâncias não avaliadas, seja por falhas na fabricação.
O alerta tem um segundo recado, menos óbvio: mesmo produtos legalizados podem fazer mal quando usados sem necessidade ou fora da dose indicada. Por isso a agência defende que a decisão de suplementar passe por um profissional de saúde.
Quem deve ter atenção redobrada
- Pessoas com doença no fígado ou que já usam medicamentos de uso contínuo metabolizados por esse órgão.
- Quem toma remédios para tireoide, ansiedade, insônia ou pressão, já que a interação com fitoterápicos sem avaliação é desconhecida.
- Gestantes e lactantes, grupo em que qualquer suplemento deve ser discutido antes com o obstetra.
Como saber se um suplemento é regular antes de comprar?
Nem todo suplemento precisa de registro individual na Anvisa, o que confunde o consumidor. Algumas checagens simples ajudam a separar o produto regular do arriscado:
- Leia a lista de ingredientes completa. Se aparecer ashwagandha ou Withania somnifera, o produto está fora das regras brasileiras.
- Procure no rótulo em português o nome e o CNPJ do fabricante ou importador.
- Desconfie de embalagem só em língua estrangeira, sem rótulo nacional, vendida por perfil pessoal.
- Descarte qualquer item que prometa tratar doença, emagrecer sem esforço ou substituir remédio.
O portal também já mostrou outro alerta recente da agência sobre ivermectina vendida como cura do câncer, um exemplo de como promessas virais costumam esconder riscos.
O que fazer se você já usa ashwagandha
Não aumente a dose nem compre novos frascos. Anote o nome do produto e há quanto tempo o utiliza e leve essas informações a uma consulta. Sinais como pele ou olhos amarelados, urina escura, dor abdominal do lado direito, cansaço fora do comum ou palpitações justificam atendimento médico imediato.
Quem sofreu algum efeito adverso pode comunicar o caso à Anvisa pelo sistema de notificações da agência, o que ajuda a fiscalização a identificar lotes e vendedores. A denúncia de anúncios irregulares também pode ser feita à vigilância sanitária do seu município.
Para os sintomas da perimenopausa, a recomendação mais segura é procurar o ginecologista: há tratamentos com eficácia comprovada, hormonais e não hormonais, e a escolha depende do histórico de cada mulher. Os cuidados com o coração nessa fase, que mudam com a queda hormonal, foram tema de cuidados com o coração durante a menopausa. Mais detalhes sobre a regra dos suplementos estão na página da Anvisa.











