A Defesa Civil do Amazonas disparou alertas para os celulares de Manaus em 17 de outubro de 2026, depois que a fumaça das queimadas levou a qualidade do ar da capital ao nível mais grave da escala. Às 8h daquele sábado, 14 dos 15 sensores da cidade marcavam ar “péssimo”, segundo a rede Selva, da Universidade do Estado do Amazonas, e o índice da plataforma IQAir chegou a 657, faixa classificada como “perigosa”.
Para quem vive na região, isso significa que sair de casa sem proteção, fazer exercício na rua ou ignorar uma tosse que não passa deixou de ser detalhe e virou risco real à saúde.
Em resumo: o ar de Manaus atingiu nível perigoso em 17 de outubro de 2026 por causa da fumaça de queimadas. A orientação oficial é ficar em ambientes fechados, beber mais água, evitar atividade física ao ar livre e, se precisar sair, usar máscara PFF2, N95 ou P100. Crianças pequenas, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias ou cardíacas precisam de cuidado redobrado e devem procurar atendimento ao primeiro sinal de piora.
O que os medidores registraram em Manaus

Os números ajudam a dimensionar o problema. De acordo com reportagem do Terra, a concentração de partículas finas (PM2.5) chegou a 404,3 microgramas por metro cúbico, cerca de 80,9 vezes a diretriz anual da Organização Mundial da Saúde, e Manaus apareceu em primeiro lugar no ranking nacional de pior qualidade do ar.
| Indicador | Registro em 17/10/2026 | O que significa |
|---|---|---|
| Sensores Selva/UEA | 14 de 15 em “péssima” | Problema espalhado pela cidade, não pontual |
| Índice IQAir (AQI+) | de 441 (6h) para 657 (8h40) | Faixa “perigosa”, a pior da escala |
| Partículas PM2.5 | 404,3 µg/m³ | Cerca de 81 vezes a diretriz anual da OMS |
A fumaça não é novidade de um dia só. Em 9 de outubro, a Defesa Civil estadual já havia emitido alertas de qualidade do ar severa em Careiro da Várzea e condições ruins ou muito ruins em 12 municípios, entre eles Parintins, Maués e Iranduba, como registrou o Poder360.
Por que essa fumaça faz mal até a quem não tem doença nenhuma
O que mais preocupa médicos não é a fumaça visível, e sim as partículas finas que ela carrega. Por serem muito pequenas, elas passam pelas defesas do nariz e da garganta, chegam ao fundo dos pulmões e podem alcançar a corrente sanguínea. É por isso que os alertas falam em risco respiratório e também cardiovascular.
O documento de recomendações do Ministério da Saúde sobre queimadas lista os sintomas mais comuns da exposição aguda:
- dor de cabeça e cansaço;
- irritação nos olhos, no nariz e na garganta, com lacrimejamento;
- rouquidão e tosse seca;
- dificuldade para respirar;
- irritação na pele e ansiedade.
Em uma pessoa saudável, esses sinais costumam ser passageiros. Em quem já tem asma, bronquite, enfisema ou problema no coração, a mesma exposição pode desencadear uma crise.
Quem precisa redobrar o cuidado agora
O Ministério da Saúde aponta como grupo de maior risco as crianças menores de 5 anos, os idosos, as gestantes e as pessoas com doenças crônicas. A Defesa Civil do Amazonas incluiu também quem pratica atividade física ao ar livre, porque o esforço faz a pessoa respirar mais rápido e mais fundo, puxando mais partículas.
Se você tem asma, DPOC ou doença cardíaca
Confira se as medicações de resgate estão em casa e dentro da validade. A orientação oficial é procurar o serviço de saúde para revisar o plano de tratamento e, se a fumaça persistir, avaliar com o médico se vale se afastar temporariamente da área mais afetada.
Se há bebê, criança pequena ou idoso em casa
Eles sentem a fumaça antes e pioram mais rápido. Observe cansaço fora do comum, respiração acelerada, chiado e recusa para mamar ou comer. Nesses casos, não espere o sintoma passar sozinho.
Máscara contra fumaça: qual protege e como usar direito
Nem toda máscara funciona. A recomendação do Ministério da Saúde para saídas necessárias é usar modelos N95, PFF2 ou P100, que filtram partículas finas. As máscaras de pano e as cirúrgicas, comuns desde a pandemia, não aparecem nessa recomendação porque não foram feitas para barrar esse tipo de poluente.
Na prática, a proteção depende mais do encaixe do que da marca. Siga esta sequência:
- Lave as mãos e segure a máscara pela parte externa.
- Posicione cobrindo nariz e queixo, com a borda de metal sobre o nariz.
- Passe os elásticos (um na nuca, outro no alto da cabeça, no caso da PFF2 de dois elásticos).
- Aperte a peça metálica com os dedos para moldar ao nariz.
- Faça o teste: expire com força. Se sentir ar escapando pelas laterais ou embaçando os óculos, ajuste de novo.
Barba atrapalha a vedação. Máscara úmida, suja ou deformada deve ser trocada, como orienta o próprio Ministério da Saúde.
Cuidados práticos para os dias de fumaça
As recomendações da Defesa Civil e do Ministério da Saúde convergem em poucos hábitos que fazem diferença:
- Beba mais água do que o normal, para manter as vias respiratórias úmidas.
- Fique o máximo possível em ambiente fechado, com portas e janelas fechadas nos horários de pior ar.
- Suspenda corrida, bicicleta e futebol ao ar livre enquanto o índice estiver ruim.
- No carro, mantenha os vidros fechados e o ar-condicionado em recirculação.
- Não fume e evite velas, incensos e fogão a lenha dentro de casa, que somam poluição ao ar interno.
- Umidifique os ambientes, como recomendou a Defesa Civil do Amazonas.
Leia também: Respirar bem em casa: design saudável para morar.
Sinais de alerta: quando procurar atendimento
O Ministério da Saúde orienta buscar atendimento o mais rápido possível quando aparecem sintomas respiratórios ou outras complicações. Para separar o incômodo do perigo, use este checklist:
- falta de ar que não melhora em repouso ou piora rapidamente;
- chiado no peito, principalmente em criança;
- dor ou aperto no peito, ou palpitação;
- lábios ou pontas dos dedos arroxeados;
- sonolência excessiva ou confusão;
- crise de asma que não cede com a medicação de resgate.
Qualquer um desses sinais pede pronto atendimento ou o SAMU, pelo 192. Tosse e irritação leves podem ser acompanhadas em casa, mas, se durarem dias, vale consultar uma unidade de saúde. Quando a dúvida é se o quadro é fumaça ou vírus, este guia ajuda: Rinovírus e metapneumovírus em alta: como diferenciar resfriado de sinais de alerta?
Dúvidas que estão aparecendo
Dá para fazer exercício dentro de casa?
Atividade leve, sim. Treino intenso aumenta a respiração e, se o ar interno também estiver carregado, a exposição sobe. O Ministério da Saúde recomenda evitar esforço físico pesado enquanto a fumaça compromete a qualidade do ar.
Criança pode usar PFF2?
Existem tamanhos menores, mas o encaixe em rosto infantil é difícil. Para bebês e crianças muito pequenas, a recomendação geral é não usar máscara, pelo risco de sufocamento. Para eles, a principal proteção é ficar em ambiente fechado e com ar mais limpo.
Soro fisiológico no nariz ajuda?
Lavar o nariz com soro pode aliviar o ressecamento e a irritação, mas não protege os pulmões. Funciona como conforto, não como substituto da máscara ou do ambiente fechado.
Por quanto tempo a fumaça pode durar?
Depende das chuvas e do controle dos focos de incêndio. Não há previsão oficial de fim. Por isso, a recomendação é acompanhar os boletins diários da Defesa Civil.
Se a fumaça continuar nos próximos dias
Se você mora em Manaus ou em municípios próximos, mantenha a rotina de proteção enquanto os alertas estiverem ativos e só relaxe quando o índice voltar à faixa “boa” ou “moderada”. Se alguém da casa é do grupo de risco, deixe combinado com antecedência para onde ir em caso de piora.
Se você vê queimada perto de casa, a denúncia em Manaus pode ser feita pelo 153. Em emergência, os números são 199 (Defesa Civil) e 193 (Bombeiros). E, se algum sintoma da lista de alerta aparecer, procure atendimento sem esperar o céu clarear.











