Surto de sarampo nos EUA ameaça o Brasil: quem precisa se vacinar

Por Portal Saúde Confiável

24 de outubro de 2026

O diretor do Programa Nacional de Imunizações (PNI), Eder Gatti, afirmou em 21 de outubro de 2026 que o surto de sarampo nos Estados Unidos, o pior do país em mais de três décadas, ameaça todo o continente e aumenta a pressão sobre o Brasil. Os americanos somam mais de 4,4 mil casos confirmados no ano e três mortes, segundo reportagem da Agência Brasil.

Em três linhas:

O Brasil confirmou 61 casos de sarampo em 2026, a maioria em São Paulo, e segue com o certificado de país livre da doença.

A segunda dose da tríplice viral nas crianças está em 80%, longe da meta de 95%.

De 1 a 29 anos, o esquema completo tem duas doses; de 30 a 59 anos, uma dose basta.

Os números abaixo ajudam a medir o tamanho do risco e a descobrir se você ou alguém da sua casa está fora da proteção.

IndicadorNúmeroFonte
Casos confirmados no Brasil em 2026 (até 19 de outubro)61Ministério da Saúde
Casos no estado de São Paulo41Ministério da Saúde
Casos nos Estados Unidos em 2026mais de 4,4 mil, com 3 mortesPNI, via Agência Brasil
Casos nas Américasmais de 56 mil, com ao menos 80 mortesOpas, citada pela SBIm
Cobertura infantil da tríplice viral em 2026 (preliminar)95% na 1ª dose e 80% na 2ªPNI

 

61 casos no Brasil até 19 de outubro, 41 em São Paulo

Segundo a situação epidemiológica do sarampo no Ministério da Saúde, o país registrou 61 casos em 2026 até 19 de outubro, distribuídos em quatro estados. São Paulo concentra 41: são 37 na capital, dois em São Bernardo do Campo, um em Guarulhos e um em Santo André. O Amazonas tem 17 casos (Tabatinga, Benjamin Constant, Atalaia do Norte e São Paulo de Olivença), o Acre soma dois em Rio Branco e o Rio de Janeiro, um na capital.

A leitura do dado está na comparação: foram 5 casos em 2024 e 38 em 2025. Dos 61 confirmados neste ano, 44 estão ligados a surtos ainda ativos. Os casos do Amazonas e do Acre vêm de surtos com origem no Peru, país vizinho. Como não há transmissão sustentada dentro do território, o Brasil mantém o certificado de eliminação recebido da Organização Pan-Americana da Saúde em novembro de 2024.

Manter esse status custa caro. Segundo a Agência Brasil, o estado de São Paulo aplicou quase 4 milhões de doses extras no ano, e o Amazonas, perto de 192 mil, como parte do bloqueio vacinal feito a cada caso suspeito.

 

80% na segunda dose infantil, abaixo da meta de 95%

A cobertura da tríplice viral no calendário infantil subiu desde 2023, quando estava em 88% na primeira dose e 66% na segunda. Em 2024, chegou a 96% e 78%. Os dados preliminares de 2026 indicam 95% na primeira dose e 80% na segunda, segundo o PNI.

A primeira dose já bate a meta. A segunda, aplicada aos 15 meses, fica 15 pontos abaixo, e é ela que fecha o esquema da criança. A Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) defende que os 95% sejam mantidos o tempo todo, e não apenas quando surgem surtos, porque é esse patamar que forma a proteção coletiva de quem não pode se vacinar, como bebês pequenos e pessoas com imunidade comprometida.

 

Mais de 4,4 mil casos nos EUA e 98% sem esquema completo

Entre os infectados nos Estados Unidos em 2026, 98% não estavam totalmente vacinados, de acordo com a reportagem. Em agosto, o governo americano reduziu de 17 para 11 o número de vacinas recomendadas para todas as crianças e determinou que a tríplice viral fosse separada em três imunizantes. Para a SBIm, a mudança não tem base científica, e as versões isoladas contra sarampo, caxumba e rubéola não são fabricadas há quase 20 anos.

“Quem se vacina não pega nem transmite”, resumiu Gatti. Nenhuma dessas mudanças foi adotada no Brasil, e o calendário do SUS segue o mesmo.

 

56 mil casos e 80 mortes no continente

A Opas contabiliza mais de 56 mil casos de sarampo nas Américas, com pelo menos 80 mortes, segundo o diretor da SBIm, Juarez Cunha. O número explica por que viagens pesam tanto: o Ministério da Saúde informa que uma pessoa infectada pode transmitir o vírus para 90% das pessoas próximas que não estejam imunes, e a transmissão começa seis dias antes de as manchas aparecerem.

Frascos de vacina e seringas sobre fundo azul
Frascos e seringas. Imagem ilustrativa. Foto: Marta Branco / Pexels

 

Duas doses até 29 anos, uma de 30 a 59: a régua do SUS

O SUS oferece a vacina para todas as pessoas de 12 meses a 59 anos. As respostas do perguntas e respostas do Ministério da Saúde sobre sarampo definem quem já está protegido:

IdadeEsquema considerado completoObservação
6 a 11 mesesFora da rotinaDose extra só em locais com surto, por decisão das autoridades de saúde
12 meses1ª dose (tríplice viral)Calendário básico
15 meses2ª doseFecha o esquema infantil
1 a 29 anos2 dosesIntervalo de 30 dias entre elas
30 a 59 anos1 doseQuem não tem registro deve tomar
60 anos ou maisFora da indicação de rotinaDúvidas devem ser levadas ao serviço de saúde

 

Perdi a caderneta. Preciso recomeçar?

Quem não lembra se tomou a vacina ou perdeu o cartão deve procurar uma unidade de saúde para verificar o histórico e atualizar a caderneta conforme o Calendário Nacional de Vacinação, orienta o ministério. Para viagens internacionais, a recomendação é fazer isso pelo menos 15 dias antes do embarque.

 

Quem não pode tomar a tríplice viral?

Gestantes e bebês com menos de 6 meses, mesmo em situação de surto. Mulheres em idade fértil devem evitar engravidar por pelo menos um mês após a dose, e pessoas com imunidade comprometida precisam de avaliação nos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (Crie). Quem tem alergia comprovada à proteína do leite de vaca recebe a vacina de laboratórios específicos indicados pelo ministério.

 

Quando a febre pede atendimento?

Febre acima de 38,5 °C com manchas vermelhas que começam no rosto e descem pelo corpo, acompanhadas de tosse, coriza ou olhos irritados, são os sinais clássicos descritos pelo Ministério da Saúde. Nesse quadro, procure um serviço de saúde. Quem está com suspeita de sarampo não deve se vacinar até a investigação terminar.

 

Abra a caderneta e conte as doses antes de qualquer outra coisa

A medida mais útil depois desses números é uma só: conferir quantas doses de tríplice ou dupla viral aparecem no seu registro e no de cada pessoa da casa, comparando com a régua da tabela. O caminho para consultar esse registro está no guia sobre como checar a caderneta de vacinação. Se a viagem de fim de ano for para fora do país, o texto sobre quem precisa revisar a vacinação antes de viajar detalha os cuidados com o embarque.

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