O bebê nasce numa maternidade particular, a equipe oferece a vacina de hepatite B e os pais pedem para esperar, influenciados pelo que leram sobre os Estados Unidos. Relatos desse tipo de recusa foram citados em reportagem da Agência Brasil publicada em 21 de outubro de 2026, depois que o governo americano deixou de recomendar a dose ao nascer para todos os bebês.
No Brasil, nada mudou: a vacina segue no calendário do SUS logo após o parto. E o motivo tem a ver com o que a hepatite B faz quando pega uma criança pequena.
Por que a dose do nascimento pesa tanto
Para quem tem pressa: a primeira dose deve ser dada de preferência nas primeiras 12 horas de vida, pode ser aplicada até os 30 dias e o esquema se completa com a pentavalente aos 2, 4 e 6 meses.
Num adulto infectado, a maioria elimina o vírus. “Na criança, é exatamente o contrário: a chance de se tornar crônica é de 90%”, disse Juarez Cunha, diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), à Agência Brasil. A hepatite B crônica pode evoluir ao longo dos anos para cirrose e câncer de fígado.
A dose ao nascer existe para bloquear a transmissão que pode acontecer no parto, quando a mãe tem o vírus, às vezes sem saber. Nos Estados Unidos, a vacina passou a ser aplicada apenas em bebês de alto risco ou por decisão conjunta de médico e família. A SBIm afirma que as novas recomendações americanas não têm base científica.
Primeiras 12 horas: o momento ideal
A Instrução Normativa do Calendário Nacional de Vacinação, do Ministério da Saúde, orienta aplicar a primeira dose preferencialmente nas primeiras 12 horas após o nascimento, ainda na maternidade. Quando isso não for possível na sala de parto ou nesse intervalo, a orientação é aplicar em até 24 horas.

Até 30 dias de vida: o prazo final da primeira dose
Se a dose não foi dada na maternidade, ela ainda pode ser feita no posto de saúde até o bebê completar 30 dias. Depois de 1 mês de idade, segundo a Instrução Normativa do Calendário Nacional de Vacinação, essa dose específica não é mais aplicada. A proteção passa a depender só das doses seguintes, sem o bloqueio do período em que o bebê é mais vulnerável.
Aos 2, 4 e 6 meses: a pentavalente fecha o esquema
| Idade | Vacina | Onde |
|---|---|---|
| Ao nascer (ideal nas primeiras 12 horas) | Hepatite B | Maternidade |
| Até 30 dias, se não feita antes | Hepatite B | Posto de saúde |
| 2 meses | Pentavalente (inclui hepatite B) | Posto de saúde |
| 4 meses | Pentavalente | Posto de saúde |
| 6 meses | Pentavalente | Posto de saúde |
A pentavalente protege contra difteria, tétano, coqueluche, Haemophilus influenzae tipo b e hepatite B. Todas as doses são gratuitas no SUS.
E quando a mãe tem hepatite B?
O recém-nascido de mãe com exame HBsAg positivo recebe, além da vacina, a imunoglobulina anti-hepatite B, de preferência junto com a primeira dose e no máximo até 7 dias de vida. Depois do esquema completo, a recomendação é fazer o exame anti-HBs entre 30 e 60 dias após a última dose, para confirmar a resposta.
O efeito dominó que preocupa os especialistas
A mesma reportagem mostra o resultado de vacinas deixadas de lado nos EUA: mais de 4,4 mil casos de sarampo em 2026 e três mortes, com 98% dos infectados sem vacinação completa. O Brasil registrou 61 casos no ano, a maioria importada, e mantém a certificação de país livre de sarampo. A cobertura preliminar da tríplice viral em 2026 é de 95% na primeira dose e 80% na segunda. Quem vai viajar pode rever as orientações no texto sobre o alerta de sarampo nas Américas.
Dose perdida na maternidade: o que levar ao posto
Leve a caderneta de vacinação do bebê e o resumo de alta da maternidade a uma unidade básica de saúde o quanto antes, dentro dos primeiros 30 dias. Dúvidas sobre o esquema, especialmente em prematuros ou bebês filhos de mãe com hepatite B, devem ser tiradas com o pediatra, que ajusta o calendário ao caso. Para conferir o que já foi aplicado, o caminho está no texto sobre como consultar a caderneta de vacinação.











