Teste FIT no SUS: quem pode fazer o rastreio do câncer de intestino

Por Portal Saúde Confiável

20 de outubro de 2026

400 mil testes imunoquímicos fecais, conhecidos pela sigla FIT, serão distribuídos a todos os estados, segundo anúncio do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, em 20 de outubro de 2026. O exame procura sangue oculto nas fezes e passa a ser a porta de entrada do rastreamento do câncer colorretal no SUS para homens e mulheres de 50 a 75 anos sem sintomas.

O teste foi incluído na tabela do SUS pela Portaria SAES/MS nº 4.642, de 6 de agosto de 2026, e o procedimento consta da tabela desde 10 de agosto. A recomendação é repetir o exame a cada dois anos. O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 53,8 mil casos novos por ano entre 2026 e 2028, o que faz do câncer de intestino o segundo mais comum no país, sem contar o de pele não melanoma.

Bancada de laboratório com equipamentos de análise
Amostras do FIT são analisadas em laboratório em busca de hemoglobina humana. Imagem ilustrativa. Foto: Ludovic Delot / Pexels

 

Segundo a Agência Brasil, o anúncio veio junto com a oferta de nove medicamentos oncológicos e o rastreio do câncer do colo do útero por teste de DNA-HPV. A indicação do FIT, no entanto, muda bastante de acordo com a idade e com o que a pessoa está sentindo. Os perfis abaixo resumem cada situação.

Seu perfilFIT é indicado?Próximo passo
50 a 75 anos, sem sintomasSim, a cada 2 anosPedir o teste na unidade básica de saúde
Qualquer idade, com sangramento ou mudança no intestinoNãoConsulta médica para investigação
Abaixo de 50 ou acima de 75 anos, sem sintomasFora da faixa da portariaAvaliação individual com o médico
Resultado positivo no FITTeste já feitoColonoscopia

 

Tem entre 50 e 75 anos e nenhum sintoma

Esse é o público-alvo do programa, que reúne mais de 40 milhões de brasileiros, segundo o ministério. A lógica do rastreamento é encontrar sangue invisível a olho nu antes que exista qualquer queixa, o que permite achar pólipos e tumores em fase inicial, quando o tratamento é mais simples.

O FIT é feito em casa. A pessoa recebe um kit, coleta uma amostra única das fezes e devolve o material na unidade de saúde. Não há dieta prévia nem preparo do intestino, diferente da colonoscopia. O ministério cita precisão de 92% para o teste; a sensibilidade descrita para esse tipo de exame fica entre 85% e 92%.

 

Como costuma ser a coleta

  1. Retire o kit na unidade básica de saúde e leia as instruções do fabricante que vêm com ele.
  2. Colete a amostra no dia indicado, sem contato com água do vaso sanitário, usando o coletor do kit.
  3. Identifique o tubo com nome e data e entregue no prazo informado pela equipe.
  4. Aguarde o contato da unidade com o resultado, que sai como positivo ou negativo.

Resultado negativo não encerra o acompanhamento. Pela regra do programa, o exame é repetido depois de dois anos.

 

Teve sangue nas fezes, dor ou mudança no intestino

Aqui o caminho é outro. O FIT é um exame de rastreamento, desenhado para quem não sente nada. Quem já percebeu sangramento, emagrecimento sem explicação, alteração persistente no ritmo do intestino, anemia ou dor abdominal deve marcar consulta. O médico pode pedir diretamente a colonoscopia ou outros exames, sem passar pelo teste de fezes.

Fazer o FIT nessa situação pode atrasar o diagnóstico: um resultado negativo traz uma falsa tranquilidade, porque o teste não foi feito para descartar a doença em quem tem sintomas.

 

Está abaixo dos 50 ou acima dos 75 anos

A portaria fixa a faixa de 50 a 75 anos para o rastreamento populacional. Fora dela, a decisão é individual. Pessoas com parentes de primeiro grau que tiveram câncer colorretal, doença inflamatória intestinal ou síndromes hereditárias costumam ter acompanhamento próprio, às vezes iniciado mais cedo e com colonoscopia. Leve o histórico da família à consulta para que o médico defina o intervalo.

Acima de 75 anos, o benefício do rastreio depende do estado geral de saúde e dos exames anteriores. A conversa com o médico pesa a chance de achar algo contra os riscos de um procedimento invasivo.

 

Recebeu resultado positivo no teste de fezes

Positivo não é diagnóstico de câncer. Significa que havia sangue na amostra, o que pode ter várias causas, como pólipos benignos, hemorroidas ou inflamação. O passo seguinte é a colonoscopia, exame que permite ver o intestino por dentro e retirar pólipos no mesmo procedimento.

A colonoscopia exige preparo com dieta e laxantes, e o encaminhamento é feito pela própria rede. Quem já faz tratamento oncológico pode acompanhar a ampliação de remédios no SUS no texto sobre novos medicamentos contra o câncer no SUS.

 

Onde pedir o FIT na rede pública

O ponto de partida é a unidade básica de saúde onde você é cadastrado. Como a distribuição dos 400 mil kits começa pelos estados e depois chega aos municípios, o ritmo de oferta pode variar de cidade para cidade nas primeiras semanas. Pergunte na recepção ou ao agente comunitário se o teste já está disponível e, se ainda não estiver, peça para ser avisado. Para organizar consultas e exames pelo celular, o guia de como marcar consulta pelo Meu SUS Digital mostra o caminho no aplicativo.

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