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Sábado, 7 de novembro de 2026
Medicina

Covid grave volta a crescer no país: quem deve atualizar a vacina agora

Boletim InfoGripe da Fiocruz aponta alta de casos graves de covid em SP, RJ, SC e DF. Saiba quem está no grupo prioritário da vacina e quando procurar o posto.

Covid grave volta a crescer no país: quem deve atualizar a vacina agora

A Fiocruz divulgou em 5 de novembro de 2026 o Boletim InfoGripe referente à semana de 25 a 31 de outubro, com sinal de aumento dos casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) causados pela covid-19 em São Paulo, no Rio de Janeiro, em Santa Catarina, no Distrito Federal e em mais um estado do Centro-Oeste. Segundo a fundação, a incidência de SRAG por covid ainda é baixa em todas as faixas etárias, mas a curva voltou a subir nesses locais.

O coronavírus responde por 8,5% dos casos de SRAG com vírus identificado nas últimas quatro semanas, mas por 24,1% das mortes nesse mesmo grupo, de acordo com o boletim InfoGripe de 5 de novembro. “A principal forma de prevenção contra casos graves e óbitos por Covid-19 é a vacinação”, afirmou a pesquisadora Tatiana Portella, do Programa de Computação Científica da Fiocruz. A vacina é gratuita nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) para os grupos definidos pelo Ministério da Saúde, e a dose certa depende de quem você é. Veja seu perfil abaixo e leve a caderneta ao posto.

Frasco de vacina contra covid-19 ao lado da caixa do imunizante
Frasco e embalagem de vacina de RNA mensageiro contra a covid-19. Imagem ilustrativa. Foto: Whispyhistory / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Idosos a partir de 60 anos: uma dose a cada seis meses

Pelo Calendário Nacional de Vacinação 2026, quem tem 60 anos ou mais recebe 1 dose a cada 6 meses, sem importar quantas tomou antes. É o grupo em que a SRAG mais mata: o InfoGripe aponta a maior mortalidade a partir dos 65 anos.

Na prática, um idoso que tomou a última dose em abril ou maio já pode voltar ao posto em novembro. Se a covid vier mesmo assim, o Ministério da Saúde oferece pelo SUS o antiviral nirmatrelvir com ritonavir para pessoas com 65 anos ou mais e para quem tem imunidade baixa. Ele é indicado para casos leves a moderados confirmados e precisa começar nos primeiros dias de sintomas, por isso vale procurar a UBS logo no início do quadro.

Crianças de 6 meses a menores de 5 anos: o esquema de três doses

A vacina faz parte do calendário de rotina dessa faixa. Com a Comirnaty, da Pfizer, são 3 doses, aos 6, 7 e 9 meses de idade; com a Spikevax, da Moderna, são 2. A criança saudável com o esquema completo não precisa de reforço periódico. Já as que têm comorbidade e as indígenas, quilombolas ou ribeirinhas recebem uma dose anual, seis meses depois da última. O calendário mês a mês está em Só 5% das crianças têm as três doses contra covid: o calendário certo.

E se a criança tomou só uma ou duas doses?

Não é preciso recomeçar. O posto completa o esquema com a vacina que tiver disponível, seguindo os intervalos do calendário. Leve a caderneta para a equipe conferir quais doses já foram registradas.

Crianças de até 2 anos têm a maior incidência de SRAG do país neste momento, mas puxada por outros vírus: rinovírus, vírus sincicial respiratório e metapneumovírus. Os sinais que diferenciam um resfriado de um quadro que pede atendimento estão em Rinovírus e metapneumovírus em alta: como diferenciar resfriado de sinais de alerta?.

Gestantes: uma dose em cada gravidez

A gestante toma 1 dose durante cada gestação, em qualquer idade gestacional, desde que tenham passado pelo menos seis meses da última dose contra a covid. Quem não se vacinou durante a gravidez pode receber a dose como puérpera, no período após o parto, que também está entre os grupos especiais.

Imunossuprimidos: reforço semestral desde a infância

Pessoas imunocomprometidas recebem 1 dose a cada 6 meses. Entram nesse grupo, entre outros, transplantados, pessoas vivendo com HIV, pacientes em quimioterapia ou radioterapia, em hemodiálise ou em uso de remédios que reduzem a imunidade, como corticoide em dose alta por tempo prolongado. A partir dos 5 anos, quem nunca foi vacinado começa com três doses, com intervalos de quatro e oito semanas. Crianças menores imunocomprometidas que completaram o esquema também recebem dose a cada seis meses.

Nesse perfil, a dúvida sobre o tipo de remédio ou de doença costuma ser o que trava a ida ao posto. Levar à UBS um relatório ou a receita do médico que acompanha o tratamento ajuda a equipe a confirmar a condição.

Demais adultos até 59 anos: dose só nos grupos especiais

Quem não é idoso, gestante nem imunossuprimido só tem dose prevista no SUS se fizer parte de um dos grupos especiais. Para eles, a recomendação é de 1 dose anual:

  • pessoas com comorbidades ou com deficiência permanente;
  • trabalhadores da saúde e trabalhadores dos Correios;
  • indígenas, quilombolas e ribeirinhos;
  • moradores de instituições de longa permanência;
  • pessoas privadas de liberdade, funcionários do sistema prisional e adolescentes em medida socioeducativa;
  • pessoas em situação de rua.

Fora dessas situações, o adulto saudável não tem dose de rotina no calendário do SUS de 2026. Se você tem dúvida se uma doença crônica conta como comorbidade, leve exames ou receitas à UBS e pergunte à equipe de vacinação.

Falta de ar e saturação abaixo de 95%: sinais para buscar atendimento

A covid pode começar como gripe comum, com febre, tosse, cansaço, dor no corpo e dor de cabeça. Pela definição de caso do Ministério da Saúde, o quadro passa a ser SRAG quando aparece pelo menos um destes sinais:

  • falta de ar ou desconforto para respirar;
  • pressão ou dor persistente no peito;
  • saturação de oxigênio abaixo de 95% em ar ambiente, medida no oxímetro;
  • lábios ou rosto azulados.

Em crianças, observe também o nariz abrindo e fechando a cada respiração, as costelas marcando ao puxar o ar, desidratação e recusa em comer. Qualquer um desses sinais pede atendimento no pronto-socorro ou na UPA, sem esperar a consulta agendada.

Tendência a confirmar no próximo InfoGripe

O boletim fala em sinal de crescimento, não em surto: a incidência de SRAG por covid segue baixa, e o Sars-CoV-2 respondeu por 3,9% dos casos positivos de 2026. Ainda falta saber se a alta se sustenta nas próximas semanas e se chega a outros estados. Os textos de divulgação do boletim também divergem sobre qual estado do Centro-Oeste, além do Distrito Federal, entrou na lista, ponto que deve ficar claro na próxima edição do InfoGripe, publicada semanalmente pela Fiocruz. Até lá, a orientação oficial não muda: quem está nos grupos acima e tem a dose vencida deve procurar a UBS, e quem apresenta sinais de gravidade deve buscar atendimento.

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Este conteúdo é informativo. Ele não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento com profissional de saúde. Não interrompa nem altere medicamentos por conta própria. Em emergências, ligue 192 (SAMU). Viu algum erro? Saiba como corrigimos.