“O consumo dessa carne não traz nenhum risco às pessoas”, disse o ministro da Agricultura, André de Paula, em entrevista em Brasília em 19 de outubro de 2026. Na véspera, o ministério havia confirmado um foco da doença de Newcastle em uma granja comercial de perus de corte em Nova Itaberaba (SC), no oeste catarinense.
O diagnóstico saiu do Laboratório Federal de Defesa Agropecuária de São Paulo, referência internacional para essa doença, segundo a nota do Ministério da Agricultura publicada pela Agência Brasil. A granja, com cerca de 6 mil aves, foi interditada e o trânsito de animais no local foi suspenso.
Por que a doença das aves não passa pelo prato
- Carne e ovos com inspeção oficial seguem liberados para consumo, segundo o ministério.
- O vírus causador (paramixovírus aviário tipo 1, o APMV-1) ataca aves domésticas e silvestres.
- Carne e ovos bem cozidos não transmitem a doença, de acordo com as informações divulgadas pelo governo à imprensa.
A doença de Newcastle é muito contagiosa entre as aves e pode provocar sintomas respiratórios, sinais neurológicos e morte dos animais. O problema é de sanidade animal, não de segurança dos alimentos: o foco afeta a produção e o comércio, e não a carne que já passou pela inspeção e chegou ao mercado.
Ela também não é a mesma coisa que a gripe aviária, embora as duas façam parte do mesmo plano de contingência do governo para emergências em aves. O portal já explicou os cuidados na cadeia de aves em surtos de influenza aviária, que seguem outra lógica de risco.

E quem trabalha diretamente com as aves?
Em pessoas, o vírus pode causar uma conjuntivite leve e passageira, quase sempre depois de contato intenso com animais doentes. É um risco ocupacional de quem lida com as aves na granja ou no abate, não de quem compra frango no supermercado. Trabalhador do setor com olho vermelho e irritado depois de manejar aves deve procurar atendimento e contar a atividade ao médico.
Selo SIF, SIE ou SIM: o que olhar na embalagem do frango
A garantia citada pelo ministério vale para o produto que passou por inspeção oficial. Na prática, é o carimbo do serviço de inspeção na embalagem que separa a carne fiscalizada da clandestina. Existem três níveis:
| Selo | Quem fiscaliza | Onde o produto pode ser vendido |
|---|---|---|
| SIF | Ministério da Agricultura | Todo o país e exportação |
| SIE | Órgão de defesa agropecuária do estado | Dentro do estado |
| SIM | Prefeitura | Dentro do município |
No frango embalado, o carimbo costuma aparecer impresso no rótulo, com o número do estabelecimento que abateu a ave. Na bandeja de ovos, o selo fica na caixa ou na etiqueta da embalagem. Esse número permite rastrear a origem do produto se houver algum problema sanitário.
Frango e ovos vendidos sem nenhum desses selos, em feira ou à beira de estrada, não têm a mesma garantia. Em casa, a regra é a de sempre: cozinhar bem a carne até não sobrar parte rosada, não comer ovo cru ou mal passado e lavar as mãos e a tábua depois de manusear carne crua.
Quarentena de 60 dias e mercado mexicano fechado: o que segue em aberto
A Portaria Mapa nº 962, de 19 de outubro de 2026, declarou emergência zoossanitária por 60 dias em quatro municípios catarinenses: Nova Itaberaba, Águas Frias, Coronel Freitas e Nova Erechim. As aves da granja serão sacrificadas e a produção só volta depois de cumpridos os protocolos sanitários e sem novos casos. Outras cerca de 133 granjas comerciais da região ficam sob monitoramento, segundo o ministro.
No comércio exterior, o México anunciou em 19 de outubro a suspensão da compra de carne e miúdos de aves, de material genético e de ovos férteis do Brasil, de acordo com o InfoMoney. O aviso mexicano não diz quanto tempo a restrição vai durar.
Três pontos ainda não têm resposta oficial: se outros compradores vão seguir o México, se a investigação vai achar novos focos dentro da área monitorada e se os 60 dias de emergência serão suficientes para encerrar o caso. A próxima referência é o fim do prazo da portaria, em meados de dezembro, quando o ministério deve dizer se a área está livre da doença.











