Saúde

Mpox volta a crescer no Rio: quem pode tomar a vacina no SUS

Setenta e quatro casos de mpox foram confirmados na cidade do Rio de Janeiro entre setembro e outubro de 2026, contra 10 no mesmo período de 2025, segundo dados do Observatório Epidemiológico da prefeitura divulgados em 30 de outubro de 2026. A alta, de cerca de sete vezes, coincide com a falta de doses da vacina na capital, de acordo com reportagens do g1 e do jornal O Globo.

Só setembro somou 45 casos, o maior número mensal em três anos. No acumulado de 2026, a cidade chega a 167 confirmações, acima das 94 registradas em todo o ano passado. A vacina existe no SUS, mas não é de rotina: ela é reservada a grupos definidos pelo Ministério da Saúde, e saber se você está em um deles é o primeiro passo.

Indicador2026Comparação
Casos na capital em setembro e outubro7410 no mesmo período de 2025
Casos na capital no ano16794 em todo o ano de 2025
Casos no estado do Rio (até 27 de outubro)211119 em todo o ano de 2025
Casos no estado ainda em investigação117Sem comparação divulgada

 

Quem tem direito à vacina de mpox no SUS?

Segundo o Ministério da Saúde, a vacinação é feita em duas situações, e nenhuma delas é aberta ao público em geral:

  • Antes da exposição: pessoas vivendo com HIV/aids que estão com imunossupressão e profissionais de laboratório que trabalham com vírus do gênero Orthopoxvirus.
  • Depois da exposição: quem teve contato direto de risco médio ou alto com um caso suspeito ou confirmado, após avaliação da vigilância em saúde.

O grau de imunossupressão que dá direito à dose é avaliado pelo serviço que acompanha a pessoa com HIV, com base em exames como a contagem de células CD4. Por isso, o caminho mais curto é perguntar diretamente ao seu serviço de referência em HIV, e não ao posto mais próximo.

 

Contato com caso de mpox: ainda dá tempo de vacinar?

Depende de quando o contato aconteceu. Nas orientações técnicas repassadas pelo ministério às secretarias, a dose pós-exposição deve ser aplicada em até 14 dias depois do contato de risco. Quem dividiu cama, teve relação sexual ou cuidou de lesões de alguém com diagnóstico deve procurar a unidade de saúde e informar a data exata da exposição.

A classificação do risco não é automática. A equipe de vigilância avalia o tipo de contato e decide se a dose está indicada, mesmo quando há estoque.

Profissional de saúde de luvas aplica vacina no braço de uma paciente
Aplicação de vacina no braço. Imagem ilustrativa. Foto: Laura A. Moore / U.S. Navy (domínio público)

 

A vacina está em falta no Rio?

Segundo reportagens publicadas em 30 de outubro, a capital fluminense está sem doses. O deputado federal Daniel Soranz (PSD-RJ), ex-secretário municipal de Saúde, afirmou que poucas vacinas foram recebidas e cobrou do Ministério da Saúde a ampliação da compra e da distribuição. Até a publicação deste texto, o ministério não havia divulgado data para o envio de novos lotes.

Para quem está em um dos grupos prioritários, a orientação prática é registrar o pedido na unidade de saúde ou no serviço de HIV e deixar um telefone atualizado, para ser chamado quando as doses chegarem.

 

Quantas doses são aplicadas e qual vacina é usada?

O SUS usa a vacina MVA-BN, aplicada em duas doses por via subcutânea, com intervalo de 28 dias entre elas. A proteção completa depende da segunda dose, por isso quem tomou a primeira e ficou sem a segunda deve voltar ao serviço assim que houver reposição.

 

Quais sintomas de mpox exigem procurar atendimento?

De acordo com o Ministério da Saúde, os sinais mais comuns são:

  • feridas ou erupções na pele, planas ou elevadas, com líquido claro ou amarelado, que depois formam crostas;
  • lesões no rosto, mãos, pés, boca, região genital ou anal;
  • ínguas (gânglios inchados);
  • febre, dor de cabeça, dor no corpo, calafrios e fraqueza.

O período de incubação vai de 3 a 16 dias e pode chegar a 21. Diante de feridas novas, principalmente na região genital, procure uma unidade de saúde para testagem. Pessoas com HIV e baixa imunidade, gestantes e crianças correm mais risco de formas graves, segundo especialistas do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (Fiocruz), e devem buscar avaliação médica logo nos primeiros sinais.

 

Como evitar a transmissão enquanto não há vacina?

A mpox passa principalmente pelo contato direto com lesões, secreções e objetos contaminados, como roupas, toalhas e lençóis. No Brasil, a transmissão é sobretudo sexual, segundo pesquisadores da Fiocruz, mas não exclusivamente. Na prática:

  1. Evite contato íntimo com quem tenha feridas na pele ou sintomas compatíveis.
  2. Não compartilhe toalhas, roupas de cama, talheres e copos.
  3. Se tiver diagnóstico, fique isolado e cubra as lesões até a liberação médica.
  4. Quem cuida de alguém doente deve usar luvas e máscara ao lidar com as feridas e lavar as mãos depois.

A camisinha protege contra outras infecções, mas não impede totalmente a mpox, porque as lesões podem estar fora da área coberta. Para entender o que cada método previne, veja PrEP, PEP e preservativo: qual proteção serve para cada situação?.

 

Por que os casos subiram no Rio?

Ainda não há uma explicação fechada. Pesquisadores encontraram sinais da circulação do clado 1b do vírus no estado, mas, segundo eles, não está confirmado que essa variante explique o aumento. As secretarias municipal e estadual dizem acompanhar a situação e afirmam que, por ora, ela não pode ser classificada como surto ou epidemia.

 

Feridas secaram: já posso voltar ao contato próximo?

Esse é o erro mais comum depois do diagnóstico. A pessoa com mpox continua transmitindo o vírus desde o início dos sintomas até que todas as lesões tenham cicatrizado, as crostas tenham caído e uma nova camada de pele tenha se formado, segundo o Ministério da Saúde. Uma ferida seca, com casca, ainda pode passar o vírus. Encerrar o isolamento cedo demais, ou dividir a cama e as toalhas porque “já está melhorando”, é uma das formas de a cadeia de casos continuar. A liberação deve vir de quem acompanha o caso.

Fontes: Ministério da Saúde: Mpox; Observatório Epidemiológico do Rio: painel de mpox.

Importante: este conteúdo é informativo e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento com médico ou outro profissional de saúde. Em caso de sintomas, procure atendimento. Em emergências, ligue 192 (SAMU). Saiba como produzimos nossos textos na Política editorial.