Saúde

Teste de DNA-HPV no SUS: quem pode fazer e o que o resultado indica

9.904 testes deram positivo para HPV de alto risco desde que o SUS passou a usar o exame molecular DNA-HPV no rastreamento do câncer do colo do útero, segundo dados do Ministério da Saúde divulgados pela Agência Brasil em 30 de outubro de 2026. Alto risco é o grupo de tipos do vírus associado a esse câncer.

Em três linhas: o DNA-HPV é indicado para pessoas com colo do útero de 25 a 64 anos que já tiveram atividade sexual. Com resultado negativo, o próximo teste é em cinco anos. Positivo não é diagnóstico de câncer: o resultado define qual exame vem em seguida.

O teste detecta o vírus antes que ele provoque uma lesão pré-cancerosa, o que dá tempo para acompanhar e tratar. Ele é recomendado pela Organização Mundial da Saúde desde 2013 e está substituindo o papanicolau como exame de rastreamento na rede pública.

 

Sete números do novo rastreamento

NúmeroO que significaFonte
9.904Testes positivos para HPV de alto risco desde o início do uso no SUSMinistério da Saúde
26Estados que já usam o novo protocolo; o Espírito Santo deve receber os testes até o fim de 2026Ministério da Saúde
14Tipos de HPV identificados pelo teste nacional, do Instituto de Biologia Molecular do Paraná, ligado à FiocruzMinistério da Saúde
7 milhõesMulheres de 25 a 64 anos por ano que o programa pretende alcançar com cobertura nacionalMinistério da Saúde
39,6 anosIdade média na detecção com DNA-HPV, contra 49,3 anos com papanicolau, em estudo da UnicampAgência Brasil
19,3 milCasos novos de câncer do colo do útero esperados por ano até 2028Inca
mais de 95%Chance de cura quando o tumor é descoberto cedoAgência Brasil

A implantação começou em 15 de agosto de 2025, com lançamento em Recife, primeiro em um município por estado e depois ampliada conforme cada rede concluía a troca, segundo o Ministério da Saúde. A meta é ter cobertura em todo o país até dezembro de 2026. Estar num estado que já aderiu não garante que a sua unidade de saúde coleta o teste novo: a expansão segue município a município.

 

Dos 25 aos 64 anos, de cinco em cinco anos

A orientação do Inca para profissionais de saúde define o público do rastreamento: pessoas de 25 a 64 anos que já tiveram atividade sexual, o que inclui homens trans e pessoas não binárias designadas mulheres ao nascer. Com DNA-HPV negativo, o teste se repete a cada cinco anos, contra três anos do papanicolau.

  • Imunossuprimidas e pessoas vivendo com HIV: o manual do Inca para gestores prevê teste a cada três anos.
  • Acima de 60 anos: quem tem ao menos um DNA-HPV negativo a partir dessa idade pode encerrar o rastreamento, segundo o mesmo manual.
  • Fora do rastreamento: quem nunca teve atividade sexual e quem retirou o útero por completo por motivo que não seja câncer do colo.

 

E onde o DNA-HPV ainda não chegou?

Vale a regra antiga: papanicolau a cada três anos, depois de dois exames normais seguidos feitos com intervalo de um ano, segundo o Inca.

 

Positivo para HPV 16 ou 18 leva direto à colposcopia

Profissional de laboratório examina amostra em um microscópio
Análise de amostra em microscópio. Imagem ilustrativa. Foto: Gustavo Fring / Pexels

 

O teste informa se há HPV de alto risco e, nesse caso, se é dos tipos 16 e 18, os mais associados ao câncer, ou de outros tipos oncogênicos. O manual de implementação do teste DNA-HPV do Inca descreve o caminho de cada resultado:

ResultadoPróximo passo
NegativoNovo teste em cinco anos (três para imunossuprimidas)
Positivo para HPV 16 e/ou 18Encaminhamento direto para colposcopia
HPV 16/18 com colposcopia sem alteraçãoRepetir o teste em um ano
Positivo para outros tiposCitologia feita de preferência na mesma amostra; se alterada, colposcopia
Outros tipos com citologia normalRepetir o teste em um ano

Como a citologia aproveita o material já coletado, a maioria das pessoas não precisa voltar para nova coleta. A exceção é a autocoleta, oferecida só a grupos específicos e com orientação profissional: ela não permite fazer a citologia na mesma amostra, e por isso a coleta feita na unidade de saúde é a preferida.

 

Diagnóstico dez anos mais cedo em Indaiatuba

O estudo do Centro de Atenção à Saúde Integral da Mulher da Unicamp acompanhou mulheres de um programa de rastreamento em Indaiatuba (SP). Com o papanicolau, a idade média na detecção do câncer do colo do útero era de 49,3 anos; com o DNA-HPV, caiu para 39,6 anos, uma antecipação de cerca de dez anos, segundo a Agência Brasil.

O tumor é o terceiro mais comum entre mulheres no Brasil, de acordo com o Inca, e a vacina contra o HPV atua na outra ponta, antes da infecção, como mostra Vacina contra HPV reduz lesões pré-cancerígenas, aponta estudo. Uma não dispensa a outra: quem foi vacinada continua no rastreamento.

Se você tem entre 25 e 64 anos e está há mais de três anos sem o preventivo, a recomendação é uma só: procure a unidade básica de saúde do seu bairro e pergunte se a coleta do DNA-HPV já é feita ali. O resultado positivo deve ser discutido com o profissional que pediu o exame, que vai indicar o próximo passo da tabela.

Importante: este conteúdo é informativo e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento com médico ou outro profissional de saúde. Em caso de sintomas, procure atendimento. Em emergências, ligue 192 (SAMU). Saiba como produzimos nossos textos na Política editorial.