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Quinta-feira, 5 de novembro de 2026
Medicina

Dengue pode subir até 40% em 2027: sinais de alerta e prevenção

Ministério da Saúde projeta alta de 20% a 40% nos casos de dengue em 2027 com o El Niño. Veja as regiões mais expostas, os sinais de alarme e como se prevenir.

Dengue pode subir até 40% em 2027: sinais de alerta e prevenção

“A intensidade pode ser maior em regiões com seca, como no semiárido e na Amazônia”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ao apresentar a projeção do governo para a dengue no próximo ano. Em 4 de novembro de 2026, o Ministério da Saúde estimou que os casos da doença podem crescer de 20% a 40% em 2027, puxados pelo El Niño e por uma população mais vulnerável depois de dois anos de queda.

Em três linhas: a alta é uma projeção, não um dado fechado. O Sul aparece com o maior aumento relativo no cenário de El Niño forte. Sinais como dor abdominal intensa e vômitos persistentes exigem atendimento imediato.

Os números por trás da projeção para 2027

O ministério não detalhou como chegou à faixa de 20% a 40%. Os dados públicos que sustentam o alerta vêm da Fiocruz e do painel oficial de monitoramento, reunidos pelo Estado de Minas e pelo NC News.

IndicadorNúmeroFonte citada
Casos prováveis em 2026 (até o início de novembro)489.197Painel do Ministério da Saúde
Mortes confirmadas em 2026368, com 116 em investigaçãoMinistério da Saúde
Casos prováveis em 20251,66 milhãoFiocruz
Previsão para 2027 sem considerar o El NiñoCerca de 1,5 milhãoInfoDengue/Fiocruz, relatório de outubro
Mortes em 2024, ano da maior epidemia6.321Ministério da Saúde

A leitura dos números ajuda a entender o tom do alerta. Depois do pico de 2024, os casos caíram em 2025 e caíram mais em 2026. Menos gente infectada recentemente significa mais pessoas sem imunidade a alguns sorotipos, e é esse grupo que pode adoecer quando o mosquito encontra calor e chuva.

Sul e Centro-Oeste lideram o aumento no cenário de El Niño forte

O relatório da Fiocruz também simulou um El Niño intenso entre setembro de 2026 e o início de 2027. Nesse cenário, o aumento de casos prováveis em relação ao esperado seria:

  1. Sul: 138,2%
  2. Centro-Oeste: 98,4%
  3. Sudeste: 84,9%
  4. Norte: 68,9%
  5. Nordeste: 49,1%

O percentual alto do Sul tem explicação: a região parte de uma base menor e o El Niño costuma trazer mais chuva e calor para lá, condições ideais para o Aedes aegypti. Moradores do Paraná, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, que conviveram menos com a doença no passado, tendem a reconhecer os sintomas mais tarde.

Letreiro do Ministério da Saúde na fachada do prédio em Brasília
Fachada do Ministério da Saúde, em Brasília. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

 
 

Seis sinais de alarme que pedem pronto atendimento

A maior parte dos casos de dengue melhora com repouso e hidratação. O risco de morte aparece quando a doença evolui para a forma grave, geralmente entre o terceiro e o sétimo dia, muitas vezes justamente quando a febre começa a baixar. As orientações oficiais pedem atendimento imediato diante de:

  • dor abdominal intensa e contínua;
  • vômitos persistentes;
  • sangramento de gengiva, nariz ou na urina;
  • tontura ou desmaio ao levantar;
  • dificuldade para respirar;
  • sonolência excessiva ou irritabilidade, em especial em crianças.

Idosos, gestantes, bebês e pessoas com diabetes, hipertensão ou doença renal devem procurar avaliação logo no início dos sintomas, mesmo sem sinal de alarme.

Repelente, criadouros e o remédio que não se deve tomar

A prevenção segue três frentes. A primeira é eliminar água parada: calhas, ralos, caixas-d’água destampadas, pneus e pratos de vaso concentram a maioria dos focos dentro dos imóveis. A segunda é usar repelente com registro na Anvisa, seguindo a frequência indicada na embalagem. A terceira é a vacina, atualmente restrita no SUS à faixa de 10 a 14 anos com a Qdenga, já que o imunizante do Butantan está suspenso desde junho.

Já publicamos um guia detalhado sobre como se proteger da dengue no calor, com orientações para cada cômodo e para quem viaja.

Com suspeita de dengue, não tome ácido acetilsalicílico (AAS) nem anti-inflamatórios como ibuprofeno, diclofenaco e nimesulida. Esses remédios aumentam o risco de sangramento. Para febre e dor, procure orientação médica antes de usar qualquer medicamento, e não se automedique só porque a doença parece leve no primeiro dia.

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Este conteúdo é informativo. Ele não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento com profissional de saúde. Não interrompa nem altere medicamentos por conta própria. Em emergências, ligue 192 (SAMU). Viu algum erro? Saiba como corrigimos.