Medicina

HoLEP: quando a cirurgia a laser é indicada para a próstata?

“Meu urologista falou em HoLEP. É uma cirurgia grande?” A pergunta é comum, e a resposta costuma surpreender: não há corte na pele. O HoLEP, sigla em inglês para enucleação da próstata com laser de hólmio, é feito inteiramente por dentro da uretra, com um aparelho fino e uma fibra de laser. O que muda de paciente para paciente é se ele é a melhor opção, e isso depende do tamanho da próstata, dos remédios que a pessoa usa e do que ela espera do tratamento.

 

Primeiro, o que o laser faz lá dentro

Resposta rápida: o HoLEP é indicado para o aumento benigno da próstata que causa sintomas importantes, não melhora com remédios ou já provocou complicações, e é especialmente útil em próstatas grandes.

A próstata aumentada tem uma parte interna, o adenoma, que cresce e aperta a uretra. Na enucleação prostática a laser, o cirurgião usa o laser para descolar esse adenoma da cápsula, como quem separa a polpa da casca de uma laranja. O tecido solto é empurrado para dentro da bexiga, fragmentado por um aparelho chamado morcelador e aspirado.

O resultado é a retirada do adenoma inteiro, em bloco, e não em lascas como na raspagem tradicional (a RTU). Por isso a chance de o crescimento voltar a obstruir é baixa, e o tecido retirado vai para análise.

A cirurgia HoLEP costuma ter internação curta e sonda por pouco tempo, em geral um a dois dias.

Sala de cirurgia moderna com equipamentos e iluminação
O HoLEP é feito em centro cirúrgico, sob anestesia, mas sem incisões na pele. Foto: Fernando Capetillo / Pexels

 

Próstata muito grande: o perfil em que o HoLEP mais se destaca

Durante décadas, próstatas grandes, a partir de uns 80 gramas, eram tratadas com cirurgia aberta, com corte no abdome. A RTU tem limite de tamanho: quanto maior a glândula, mais longa a cirurgia e maior o risco de complicações.

O HoLEP não tem esse limite prático. O mesmo procedimento serve para próstatas médias e muito grandes, o que fez dele uma alternativa à cirurgia aberta e à prostatectomia simples robótica em muitos serviços. O Dr. Leonardo Borges descreve o HoLEP como bem indicado para próstatas maiores, justamente como opção à via robótica.

 

Quem usa anticoagulante ou AAS

Pacientes que tomam remédios para afinar o sangue têm mais risco de sangramento em qualquer cirurgia da próstata. Técnicas com laser coagulam os vasos enquanto cortam, o que reduz esse risco.

Nesses casos, a decisão é feita junto com o cardiologista: se o remédio pode ser suspenso, por quantos dias, e qual técnica oferece mais segurança. Em alguns serviços, a vaporização com outro tipo de laser é a primeira escolha para quem não pode interromper o anticoagulante. Nunca pare a medicação por conta própria.

 

Quem já usa sonda ou teve retenção urinária

Homens que tiveram retenção, ou seja, ficaram sem conseguir urinar e precisaram de sonda, já passaram do ponto em que remédio costuma resolver. Para eles, o tratamento da hiperplasia prostática benigna passa a ser cirúrgico com mais frequência.

Outras complicações que empurram para a cirurgia: infecções urinárias de repetição, pedra na bexiga, sangramento recorrente pela próstata e piora da função dos rins pela obstrução.

 

Quem tem sintomas que não melhoram com remédio

A maioria dos homens com próstata aumentada se trata com medicamentos, e muitos vivem bem assim por anos. A cirurgia entra quando:

  • os sintomas continuam incomodando mesmo com a medicação certa;
  • os efeitos colaterais do remédio (tontura, alteração na ejaculação) atrapalham mais que o problema;
  • o paciente não quer tomar remédio pelo resto da vida.

Nesse grupo, a cirurgia a laser para próstata aumentada é uma das opções, ao lado de RTU e técnicas menos invasivas para próstatas pequenas.

Paciente conversando com médico que segura uma prancheta
A indicação cirúrgica leva em conta sintomas, exames e as expectativas do paciente. Foto: Thirdman / Pexels

 

Quem quer preservar a ejaculação

Aqui o HoLEP pode não ser a melhor escolha, e é importante saber disso antes. Depois da cirurgia, a maioria dos homens passa a ter ejaculação retrógrada: o sêmen vai para a bexiga em vez de sair pela uretra. Não causa dor nem afeta a ereção ou o orgasmo, mas acaba com a fertilidade natural.

Para quem ainda quer ter filhos, ou dá muito valor a esse aspecto, existem técnicas que preservam a ejaculação com mais frequência, à custa de menor durabilidade do resultado. É uma troca que só o paciente pode fazer, bem informado.

 

Quem ainda tem dúvida se é câncer

Aumento benigno da próstata não vira câncer, mas os sintomas podem ser parecidos e as duas condições podem coexistir. Se o PSA está alterado sem explicação, a investigação vem antes da cirurgia para HPB.

O Ministério da Saúde explica os sinais de alerta do câncer de próstata, e o texto sobre quem deve fazer o exame de PSA ajuda a entender a discussão sobre rastreamento.

 

As primeiras semanas depois da cirurgia

  1. No hospital: a sonda fica pouco tempo, e a irrigação da bexiga limpa pequenos sangramentos.
  2. Primeiros dias em casa: ardência ao urinar e vontade frequente são esperadas. Beber água ao longo do dia ajuda.
  3. Até cerca de um mês: evitar esforço físico intenso, bicicleta e carregar peso, conforme orientação da equipe.
  4. Retorno: consulta para avaliar o jato e o resultado da análise do tecido retirado.

Escapes de urina nas primeiras semanas assustam, mas costumam ser passageiros. Exercícios para o assoalho pélvico aceleram a recuperação e podem começar cedo, com orientação. Leonardo Borges acompanha os pacientes operados nesse período pelo consultório no Einstein.

 

Riscos que vêm junto

EfeitoFrequênciaO que esperar
Ejaculação retrógradaMuito comumPermanente na maioria dos casos
Ardência e urgência para urinarComum nas primeiras semanasMelhora progressiva
Escape de urina transitórioPode ocorrerCostuma melhorar em semanas a poucos meses, com fisioterapia pélvica ajudando
Sangue na urinaOcasional nas primeiras semanasGeralmente leve; avisar o médico se intenso
Estreitamento da uretraIncomumPode exigir novo procedimento

A técnica tem curva de aprendizado longa, o que torna a experiência do cirurgião um fator decisivo nos resultados.

 

O sinal de que é hora da conversa com o especialista

Se você se reconheceu em algum dos perfis acima, leve à consulta o volume da próstata no último ultrassom, a lista de remédios e um diário de quantas vezes urina de dia e de noite por três dias. Com esses dados, um urologista especialista em HoLEP consegue dizer se a técnica faz sentido.

No consultório de Leonardo Borges, no Hospital Israelita Albert Einstein, a enucleação a laser é hoje a principal técnica usada para a HPB, em substituição à RTU tradicional. Como tratamento endoscópico da próstata, o HoLEP é uma das alternativas cirúrgicas que ele apresenta para a obstrução urinária causada pela próstata, sempre comparada com as demais.

Importante: este conteúdo é informativo e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento com médico ou outro profissional de saúde. Em caso de sintomas, procure atendimento. Em emergências, ligue 192 (SAMU). Saiba como produzimos nossos textos na Política editorial.