Apenas 82 dos 5.119 municípios do Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste (1,47%) vacinaram 90% do público prioritário contra a gripe em 2026, segundo dados do painel de influenza do Ministério da Saúde extraídos em 29 de outubro de 2026 e publicados pelo jornal O Tempo. Nessas quatro regiões, a cobertura média ficou em 52,45%.
Na prática, quase metade de idosos, crianças pequenas e gestantes dessas regiões chega ao fim do ano sem a dose de 2026, num grupo em que a gripe tem mais risco de complicação.
Cinco números que mostram o atraso
| Indicador | Resultado |
|---|---|
| Municípios que atingiram a meta de 90% | 82 (1,47%) |
| Municípios acima de 80% | 139 (2,5%) |
| Municípios entre 61% e 80% | 1.571 (28,2%) |
| Municípios entre 41% e 60% | 2.935 (52,68%) |
| Cobertura média do público-alvo | 52,45% |
Somando as duas faixas de cima, só 221 municípios passaram de 80% de cobertura, pouco mais de 4% do total analisado. A faixa mais comum, entre 41% e 60%, concentra mais da metade das cidades. Isso significa que, na maioria dos municípios, de cada dez pessoas do grupo prioritário, só quatro a seis foram vacinadas.
Menos mortes que em 2025, com idosos ainda expostos
Até 19 de outubro, o país registrou 17.679 casos e 1.343 mortes por influenza, contra 25.438 casos e 3.176 mortes no mesmo período de 2025, de acordo com a reportagem republicada pelo Paraíba Online.
Em termos proporcionais, os casos caíram cerca de 30% e as mortes, cerca de 58% em relação a 2025. São números que medem a circulação do vírus no ano, não a proteção de cada pessoa: um inverno com menos transmissão pode esconder a baixa cobertura até a próxima temporada mais forte.
A queda não tira os idosos da zona de risco. A resposta imunológica à vacina é menor nessa faixa, e a proteção dura cerca de seis meses, segundo a infectologista Rosana Richtmann, ouvida na reportagem. Quem tomou a dose em março, no início da campanha, já está perto do fim dessa janela. Para esse grupo, a orientação geral é manter a vacinação anual em dia e procurar o médico logo nos primeiros sintomas, quando o tratamento antiviral tem mais efeito.

Quem está no grupo prioritário
- pessoas com 60 anos ou mais;
- crianças de 6 meses a menos de 6 anos;
- gestantes.
Ainda é possível encontrar a dose no posto?
A vacina contra a gripe é gratuita no SUS para esses grupos e é atualizada a cada ano para acompanhar as cepas em circulação. Por isso a dose de anos anteriores não substitui a de 2026.
A disponibilidade varia de cidade para cidade, e o levantamento não informa até quando as doses de 2026 ficam nos postos. O caminho é ligar para a Unidade Básica de Saúde ou consultar a secretaria municipal. Leve a caderneta: o texto Dia Nacional da Vacinação: como checar sua caderneta e o que atualizar mostra como achar o registro digital.
No Norte, a campanha começa em meados de novembro
Quais sinais pedem atendimento médico?
Falta de ar, febre que não cede depois de três dias, lábios arroxeados, confusão mental e piora depois de uma melhora inicial são sinais de alerta, principalmente em idosos, gestantes e crianças pequenas. Nesses casos, procure uma unidade de saúde sem esperar o quadro passar sozinho.
A Região Norte segue outro calendário por causa do inverno amazônico, com campanha no segundo semestre, a partir de meados de novembro. Por isso ainda não há dados da região no painel. No resto do país, a vacinação começa em março.
Vírus respiratórios diferentes circulam ao mesmo tempo, e nem todo quadro é gripe; o texto Rinovírus e metapneumovírus em alta: como diferenciar resfriado de sinais de alerta? ajuda a separar os sinais.
Se você tem 60 anos ou mais, ou cuida de alguém nessa faixa, e a dose de 2026 não está registrada, procure o posto antes das festas de fim de ano. Se você mora no Norte, acompanhe o anúncio da secretaria municipal para a data de início em novembro.












