O Conselho Brasileiro de Oftalmologia iniciou em 1º de novembro de 2026 a campanha 24 Dias pelo Diabetes, com foco na prevenção da retinopatia diabética. A condição pode danificar a retina e comprometer a visão antes que a pessoa perceba sintomas. A campanha foi noticiada pela Rádio Nacional no mesmo dia, enquanto a Sociedade Brasileira de Diabetes mantém diretriz clínica atualizada em 2026 para orientar o rastreamento.
O ponto mais útil para quem vive com diabetes é que esperar a visão embaçar não é uma boa estratégia de prevenção. O exame oftalmológico pode identificar alterações antes de uma perda visual percebida. A indicação de quando começar depende do tipo de diabetes, da idade, do tempo desde o diagnóstico e do resultado de avaliações anteriores.
Diabetes tipo 2: a avaliação da retina começa no diagnóstico
A diretriz de 2026 da Sociedade Brasileira de Diabetes recomenda rastrear retinopatia em pessoas com diabetes tipo 2 no momento do diagnóstico. A razão é que a doença metabólica pode ter evoluído por algum tempo antes de ser identificada. Assim, uma pessoa que acabou de descobrir glicemia elevada pode já precisar de avaliação dos vasos da retina, mesmo sem notar alteração visual.
Na consulta, o profissional pode solicitar exame de fundo de olho, retinografia ou avaliação com dilatação das pupilas, conforme a estrutura disponível e a indicação clínica. A retinografia registra imagens da retina e ajuda a identificar sinais que exigem acompanhamento. O resultado precisa ser interpretado por profissional habilitado; uma fotografia isolada não substitui o exame clínico completo.
Diabetes tipo 1: o prazo inicial depende da idade e da duração
A mesma diretriz orienta iniciar o rastreamento em adultos com diabetes tipo 1 após cinco anos de duração da doença. Para crianças e adolescentes, a avaliação é individualizada, considerando idade e tempo de diagnóstico. A recomendação publicada inclui considerar rastreamento a partir dos 11 anos com pelo menos dois a cinco anos de diabetes. Esses intervalos não são autorização para ignorar sintomas visuais novos.
| Situação | Referência da diretriz de 2026 |
|---|---|
| Diabetes tipo 2 | Avaliar retina desde o diagnóstico |
| Diabetes tipo 1 em adultos | Iniciar após cinco anos de doença |
| Sem retinopatia ou alteração leve | Acompanhamento geralmente anual |
| Alteração moderada ou grave | Revisões mais frequentes, conforme especialista |
O calendário não deve ser usado como prescrição individual. Gestação, controle glicêmico difícil, hipertensão, alterações prévias e outros fatores podem mudar a frequência recomendada. O oftalmologista e a equipe que acompanha o diabetes devem ajustar o plano com base no histórico e nos exames.
Por que a retinopatia pode avançar sem dor ou visão turva

A retina contém pequenos vasos que podem ser afetados pela exposição prolongada à glicose elevada. Em fases iniciais, essas alterações podem não produzir sintomas claros. Quando aparecem manchas na visão, distorção ou redução importante de nitidez, o quadro já pode exigir investigação urgente. Não é possível concluir a gravidade apenas pela sensação subjetiva de enxergar bem.
A campanha chama atenção para o acompanhamento oftalmológico regular e para o controle de glicemia e pressão arterial. Alimentação adequada, tratamento prescrito e consultas de rotina participam da prevenção, mas não substituem a avaliação ocular. Uma pessoa com exames de sangue recentes considerados satisfatórios ainda pode precisar de exame de retina se estiver no período indicado.
Como pedir avaliação ocular pelo SUS
Quem faz acompanhamento em Unidade Básica de Saúde pode informar o diagnóstico de diabetes, a data aproximada de início e a última avaliação oftalmológica. A equipe orienta o encaminhamento conforme o fluxo local. O Ministério da Saúde informa que retinógrafos portáteis integram equipamentos destinados à atenção primária, mas a disponibilidade varia por município e unidade. Não é correto afirmar que toda UBS já realiza o exame no próprio local.
- Anote o tipo de diabetes e os medicamentos em uso.
- Informe a data do último exame de fundo de olho ou retinografia.
- Relate alterações recentes de visão, mesmo que passageiras.
- Pergunte quando será a próxima avaliação e como receber o laudo.
- Procure atendimento imediato diante de perda súbita de visão ou outros sintomas agudos.
A orientação de procurar o serviço não depende de esperar o fim da campanha. O acompanhamento é contínuo, e a avaliação pode ocorrer antes do prazo habitual quando houver sintomas ou fatores de risco. A decisão sobre tratamento deve ser tomada por profissional de saúde, com base no diagnóstico.
Controle metabólico e exame de retina são medidas complementares
A campanha de novembro busca reduzir perda visual evitável, não prometer que todo caso será prevenido. Diagnóstico precoce amplia a chance de intervenção no momento adequado, enquanto controle de glicemia e pressão ajuda a reduzir risco de progressão. Pessoas com retinopatia estabelecida podem precisar de tratamento especializado, que varia conforme a gravidade e o tipo de alteração encontrada.
Este texto é informativo e não substitui consulta médica. Se você tem diabetes e não sabe quando examinou a retina pela última vez, leve essa dúvida à equipe de saúde. Em caso de perda súbita de visão, procure atendimento de urgência em vez de aguardar a próxima consulta programada.
Fontes primárias consultadas: diretriz clínica de 2026 da Sociedade Brasileira de Diabetes; orientação do Ministério da Saúde sobre retinógrafos; orientações da rede federal de hospitais sobre saúde ocular; notícia de 1º de novembro sobre o início da campanha.
Leitura relacionada no portal: orientações sobre exames preventivos no Novembro Azul.












