Cinquenta homens por dia: essa foi a média de mortes por câncer de próstata no Brasil em 2025, cerca de 18,5 mil no ano, segundo dados do Ministério da Saúde divulgados pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) na abertura do Novembro Azul, em 1º de novembro de 2026. O número é cerca de 20% maior que o de dez anos antes, de acordo com o Ururau.
O dado que mais preocupa os médicos não é o total, e sim o momento do diagnóstico. Na fase inicial, o tumor quase nunca dá sinal. Quando os sintomas aparecem, a doença costuma estar mais avançada.
77,9 mil casos novos por ano até 2028
Para quem tem pressa: câncer de próstata no começo é silencioso; dificuldade para urinar e sangue na urina pedem consulta; a partir dos 50 anos (ou 45, com fatores de risco), a conversa com o urologista deve acontecer mesmo sem sintoma.
A estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA) para o triênio 2026 a 2028 é de 77.920 casos novos por ano, citada pelo Hospital de Câncer de Pernambuco. É o segundo câncer mais comum entre homens brasileiros, atrás apenas do de pele não melanoma.
| Indicador | Número | Fonte |
|---|---|---|
| Mortes em 2025 | cerca de 18,5 mil | Ministério da Saúde, via SBU |
| Mortes dez anos antes | cerca de 15,4 mil | Ministério da Saúde, via SBU |
| Mortes de 2017 a setembro de 2026 | mais de 160 mil | Ministério da Saúde, via SBU |
| Casos novos por ano (2026 a 2028) | 77.920 | INCA |

Cinco sinais que justificam marcar consulta
Nenhum deles confirma câncer, porque a maioria também aparece no aumento benigno da próstata, comum depois dos 50. Mas todos precisam de avaliação médica, segundo o HCP:
- dificuldade para começar a urinar ou sensação de que a bexiga não esvaziou;
- jato de urina fraco ou interrompido;
- vontade de urinar com mais frequência, principalmente à noite;
- sangue na urina ou no sêmen;
- dor persistente na região lombar ou nos ossos da bacia.
O quinto item merece atenção especial: dor óssea sem causa aparente, em homem acima dos 50, pode indicar que um tumor já se espalhou e não deve ser tratada só com analgésico.
Idade, histórico familiar e cor da pele mudam o risco
A idade é o principal fator. A SBU recomenda que homens a partir dos 50 anos procurem um urologista para uma avaliação individual. Esse marco cai para 45 anos para três grupos:
- quem tem pai ou irmão que teve câncer de próstata;
- homens negros, que têm incidência mais alta;
- homens com obesidade.
PSA e toque retal servem para todo mundo?
Aqui as duas principais referências divergem. O INCA não recomenda o rastreamento de rotina em homens sem sintomas, por causa do risco de sobrediagnóstico e de tratamentos desnecessários. A SBU defende que a decisão seja tomada na consulta, caso a caso. As duas posições e o que cada exame mostra estão explicadas no texto sobre quem deve fazer o exame de PSA.
Novembro Azul vai além da próstata
Câncer de pênis, de testículo e de bexiga também entram na campanha, segundo o HCP. Higiene íntima diária, uso de preservativo, não fumar, alimentação equilibrada e atividade física reduzem o risco desses tumores. No caso do testículo, mais comum em homens jovens, o autoexame no banho ajuda a notar caroço ou mudança de tamanho, que deve ser avaliada pelo médico.
Marcar a consulta pelo SUS ou pelo plano
No SUS, a porta de entrada é a Unidade Básica de Saúde: o médico de família avalia os sintomas e encaminha ao urologista quando há indicação. Pelo plano de saúde, a consulta com urologista não exige pedido médico. Em ambos os casos, leve anotado desde quando os sintomas começaram e se há casos na família, porque é isso que define quais exames serão pedidos. Se for marcar uma única coisa neste Novembro Azul, que seja essa consulta, mesmo que você se sinta bem.












