“Meu urologista falou em HoLEP. É uma cirurgia grande?” A pergunta é comum, e a resposta costuma surpreender: não há corte na pele. O HoLEP, sigla em inglês para enucleação da próstata com laser de hólmio, é feito inteiramente por dentro da uretra, com um aparelho fino e uma fibra de laser. O que muda de paciente para paciente é se ele é a melhor opção, e isso depende do tamanho da próstata, dos remédios que a pessoa usa e do que ela espera do tratamento.
Primeiro, o que o laser faz lá dentro
Resposta rápida: o HoLEP é indicado para o aumento benigno da próstata que causa sintomas importantes, não melhora com remédios ou já provocou complicações, e é especialmente útil em próstatas grandes.
A próstata aumentada tem uma parte interna, o adenoma, que cresce e aperta a uretra. Na enucleação prostática a laser, o cirurgião usa o laser para descolar esse adenoma da cápsula, como quem separa a polpa da casca de uma laranja. O tecido solto é empurrado para dentro da bexiga, fragmentado por um aparelho chamado morcelador e aspirado.
O resultado é a retirada do adenoma inteiro, em bloco, e não em lascas como na raspagem tradicional (a RTU). Por isso a chance de o crescimento voltar a obstruir é baixa, e o tecido retirado vai para análise.
A cirurgia HoLEP costuma ter internação curta e sonda por pouco tempo, em geral um a dois dias.

Próstata muito grande: o perfil em que o HoLEP mais se destaca
Durante décadas, próstatas grandes, a partir de uns 80 gramas, eram tratadas com cirurgia aberta, com corte no abdome. A RTU tem limite de tamanho: quanto maior a glândula, mais longa a cirurgia e maior o risco de complicações.
O HoLEP não tem esse limite prático. O mesmo procedimento serve para próstatas médias e muito grandes, o que fez dele uma alternativa à cirurgia aberta e à prostatectomia simples robótica em muitos serviços. O Dr. Leonardo Borges descreve o HoLEP como bem indicado para próstatas maiores, justamente como opção à via robótica.
Quem usa anticoagulante ou AAS
Pacientes que tomam remédios para afinar o sangue têm mais risco de sangramento em qualquer cirurgia da próstata. Técnicas com laser coagulam os vasos enquanto cortam, o que reduz esse risco.
Nesses casos, a decisão é feita junto com o cardiologista: se o remédio pode ser suspenso, por quantos dias, e qual técnica oferece mais segurança. Em alguns serviços, a vaporização com outro tipo de laser é a primeira escolha para quem não pode interromper o anticoagulante. Nunca pare a medicação por conta própria.
Quem já usa sonda ou teve retenção urinária
Homens que tiveram retenção, ou seja, ficaram sem conseguir urinar e precisaram de sonda, já passaram do ponto em que remédio costuma resolver. Para eles, o tratamento da hiperplasia prostática benigna passa a ser cirúrgico com mais frequência.
Outras complicações que empurram para a cirurgia: infecções urinárias de repetição, pedra na bexiga, sangramento recorrente pela próstata e piora da função dos rins pela obstrução.
Quem tem sintomas que não melhoram com remédio
A maioria dos homens com próstata aumentada se trata com medicamentos, e muitos vivem bem assim por anos. A cirurgia entra quando:
- os sintomas continuam incomodando mesmo com a medicação certa;
- os efeitos colaterais do remédio (tontura, alteração na ejaculação) atrapalham mais que o problema;
- o paciente não quer tomar remédio pelo resto da vida.
Nesse grupo, a cirurgia a laser para próstata aumentada é uma das opções, ao lado de RTU e técnicas menos invasivas para próstatas pequenas.

Quem quer preservar a ejaculação
Aqui o HoLEP pode não ser a melhor escolha, e é importante saber disso antes. Depois da cirurgia, a maioria dos homens passa a ter ejaculação retrógrada: o sêmen vai para a bexiga em vez de sair pela uretra. Não causa dor nem afeta a ereção ou o orgasmo, mas acaba com a fertilidade natural.
Para quem ainda quer ter filhos, ou dá muito valor a esse aspecto, existem técnicas que preservam a ejaculação com mais frequência, à custa de menor durabilidade do resultado. É uma troca que só o paciente pode fazer, bem informado.
Quem ainda tem dúvida se é câncer
Aumento benigno da próstata não vira câncer, mas os sintomas podem ser parecidos e as duas condições podem coexistir. Se o PSA está alterado sem explicação, a investigação vem antes da cirurgia para HPB.
O Ministério da Saúde explica os sinais de alerta do câncer de próstata, e o texto sobre quem deve fazer o exame de PSA ajuda a entender a discussão sobre rastreamento.
As primeiras semanas depois da cirurgia
- No hospital: a sonda fica pouco tempo, e a irrigação da bexiga limpa pequenos sangramentos.
- Primeiros dias em casa: ardência ao urinar e vontade frequente são esperadas. Beber água ao longo do dia ajuda.
- Até cerca de um mês: evitar esforço físico intenso, bicicleta e carregar peso, conforme orientação da equipe.
- Retorno: consulta para avaliar o jato e o resultado da análise do tecido retirado.
Escapes de urina nas primeiras semanas assustam, mas costumam ser passageiros. Exercícios para o assoalho pélvico aceleram a recuperação e podem começar cedo, com orientação. Leonardo Borges acompanha os pacientes operados nesse período pelo consultório no Einstein.
Riscos que vêm junto
| Efeito | Frequência | O que esperar |
|---|---|---|
| Ejaculação retrógrada | Muito comum | Permanente na maioria dos casos |
| Ardência e urgência para urinar | Comum nas primeiras semanas | Melhora progressiva |
| Escape de urina transitório | Pode ocorrer | Costuma melhorar em semanas a poucos meses, com fisioterapia pélvica ajudando |
| Sangue na urina | Ocasional nas primeiras semanas | Geralmente leve; avisar o médico se intenso |
| Estreitamento da uretra | Incomum | Pode exigir novo procedimento |
A técnica tem curva de aprendizado longa, o que torna a experiência do cirurgião um fator decisivo nos resultados.
O sinal de que é hora da conversa com o especialista
Se você se reconheceu em algum dos perfis acima, leve à consulta o volume da próstata no último ultrassom, a lista de remédios e um diário de quantas vezes urina de dia e de noite por três dias. Com esses dados, um urologista especialista em HoLEP consegue dizer se a técnica faz sentido.
No consultório de Leonardo Borges, no Hospital Israelita Albert Einstein, a enucleação a laser é hoje a principal técnica usada para a HPB, em substituição à RTU tradicional. Como tratamento endoscópico da próstata, o HoLEP é uma das alternativas cirúrgicas que ele apresenta para a obstrução urinária causada pela próstata, sempre comparada com as demais.












